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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Blockbuster fechará lojas nos Estados Unidos

Peguei uma notícia do Vírgula sobre a Blockbuster: segundo consta, para a empresa se recolocar no mercado de home vídeo, ela pode fechar 960 unidades até o ano que vem. Não é muito surpreendente, a nós brasileiros esta vídeolocadora já deixou de existir há dois anos quando fora comprada pelas Lojas Americanas.

A Blockbuster deixou de ser um dos principais meios para se alugar filmes nos Estados Unidos, pois duela contra a cibernética Netfix e a rede de quiosques da Redbox, além claro dos downloads externos. Por enquanto a fuga das locadoras é grande em prol da comodidade da concorrência.

Fruto agressivo da escala industrial estadunidense, a Blockbuster tornou-se uma das maiores redes de locadora de filmes no mundo na década passada. Lembro-me de quando chegou ao Brasil em torno de 1994-95. Eles diziam que tinha de tudo em matéria de filmes e games, além de um bom atendimento e seu visual à lá supermercado.

Na época, a empresa bem que tentou praticar dumping contra grandes concorrentes nacionais – em São Paulo, tinha Vídeo Norte, Premiere Vídeo, 2001 e a falida Hobby Vídeo –, mas rapidamente foi obrigada a aumentar os preços da locação. Por sua vez, as rivais conseguiram se posicionar muito bem devido à fidelidade da clientela, algo que a Blockbuster pouco usufruiu devido ao seu imediatismo em larga escala em prol dos lançamentos do momento; depois se desfez de um catálogo mais completo e se firmou com os produtos “quentes”.

Além disso, houve as derradeiras inadimplências dos usuários e o excessivo de atraso das locações que causaram uma parcial fuga de clientes. Aquela fresta do quickdrop era prática demais, mas arruinou a empresa; e somente a rede norte-americana que possuía tal facilidade. Por isso que a rede Redbox tem obtido sucesso: muitas vezes as pessoas nem devolvem os filmes e fica por isso mesmo.

Hoje, a Blockbuster é um pedaço enfiado num canto de uma loja de conveniência. Apesar de obter sua lucratividade, está mais para um sonho enfadonho de domínio estrangeiro que já passou.

Atualização: neste ano de 2010 a empresa vai de mal a pior. Em março, a Agência Estado publicou a matéria Blockbuster alerta que pode pedir concordata; nas duas últimas semanas isso tem se intensificado o que pode acarretar em decreto de falência neste mês de setembro.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um lance na videolocadora

Opinião é como bunda, todo mundo tem uma. Então porque diabos as pessoas dependem tanto do julgamento alheio sobre determinadas questões irrelevantes? Após certa experiência em trabalho de vídeolocadora não consigo desvincular os clientes freqüentadores desse tipo de loja com drogados. Sua ânsia por novidades que as motivem e lhe dêem prazer caem nas costas de um atendente.

Normalmente, uma pessoa entra numa locadora e pergunta “o que chegou de novo”. Como bom funcionário, o rapaz (ou a moça) pára tudo o que está fazendo e proporciona uma boa recepção ao cliente mostrando os novos produtos que vieram às prateleiras na última semana – ou no último mês. Entre apresentações de títulos, atores e sinopses, surge em questão de segundos a inevitável pergunta por parte do freguês: “É bom? Você já viu?”.

Julgue-me radical se quiser, mas que diferença faz se o funcionário assiste aos filmes ou não? Se tiver assistido à obra e odiado o que viu, a resposta do atendente vai refletir diretamente na opinião do cliente e este deixará de alugar a fita. Se não, o mesmo pode levar o filme só porque alguém disse que é bom. Isso ainda é um indivíduo. Imagine 40 deles perguntando a mesma coisa. É uma dependência de opinião absurda. E esses funcionários nem sempre são especialista em cinema, apenas gostam de ver filmes.

O cliente quer ter sempre razão. Ele quer ganhar. Ou seja, se o filme for bom e a pessoa gostar, estará satisfeito; caso contrário, a culpa é do atendente da locadora que não lhe indicou algo decente. Já indiquei Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! para uma senhora que gostou de todos os demais filmes do trio ZAZ. Três dias depois, com ares de indignação, ela me diz que odiou a obra.

Recentemente, duas garotas por volta de 14 anos não sabiam o que alugar e queriam que eu lhes indicasse uma comédia engraçada – como se humor fosse igual para todo mundo. Mostrei alguns filmes em que obtive apenas careta como resposta até que surgiu Zoolander (muitos odeiam o filme, mas não importa, tinha que indicar alguma coisa). Fiz uma explicação simples:

– A estória tira sarro de modelos e num deles é feito lavagem cerebral pra matar um político asiático.
– Política? Deve ser chato. – respondeu uma delas.
– A política é só no fato do cara ser presidente. Não vai além disso. – argumentei.
– Não quero. – pausa – Você viu Leões e Cordeiros?
– Vi, é bem legal, mas é drama e político. Acho que vocês não iriam gostar.
– Nossa, você tem um péssimo gosto. O filme é uma droga.
– Se o gosto é ruim, então porque pedem indicação. Aluguem sozinhas.

Esse é um caso em que não me contive. Ou ficava entalado na garganta e eu me arrependeria como ocorreram outras vezes, ou liberava o badaró logo de uma vez. Estava à solta a vontade de ser Randal, o atendente da vídeolocadora de O Balconista.

Porém, nem sempre dá para responder argumentos imbecis. Mesmo que se crie um leque de possibilidades com coisas de qualidade o cliente ainda consegue ser infantil e indagar: “Qual desses é melhor?”

É um hábito viciante. Atinge desde crianças até idosos. Não é crime – nem tem como ser, são perguntas –, mas são simplistas, superficiais, sem propósito; não vai além do “bom” e do “ruim”. As pessoas estão tão carentes de algo maior, que muitas vezes não conseguem saber do que gostam. Não conseguem valorizar o que têm dentro de si e fazer suas próprias escolhas. Ficaram ineptos e acomodados.