sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O candidato brasileiro ao Oscar é...

...Salve Geral! Dirigido por Sérgio Rezende e estrelado por Andréa Beltrão, a história relembra os ataques do PCC em maio de 2006 na cidade de São Paulo deixando a população em pânico e a polícia frágil devido à escalada da violência. Nunca antes havia ocorrido algo parecido na capital paulista. No meio de toda essa catástrofe urbana, uma professora de piano tenta tirar seu filho adolescente da prisão.

No post anterior eu pretendi questionar a especulação opinativa em torno de um filme e endosso o que disse: nossos interesses pessoais sempre esbarram naquilo que nos é mostrado. Desde já me coloco novamente decepcionado com a atitude de produtores, críticos e exibidores de cinema brasileiros que justificam a base de nosso sistema atual valendo-se ora de violência e pobreza ora de aspectos televisivos para se criar comédia.

O trailer que você pode ver abaixo se parece com aqueles longas norte-americanos idealizados para transmissão direto na TV. Não tem emoção ou inventividade. Quanto ao filme fiquei em dúvida quanto à sua qualidade, mas infelizmente nada de novo acrescenta ao fatalista cinema nacional. Depois reclamam dos excessos mercadológicos de Hollywood...

Os indicados à 82ª edição do Oscar serão anunciados em 2 de fevereiro de 2010; a entrega dos prêmios da Academia ocorrem no dia 7 de março de 2010, no Kodak Theatre, em Los Angeles, com transmissão ao vivo para 200 países.


É possível opinar sobre um filme sem tê-lo visto?

Bem, TODO mundo faz isso. Eu fiz isso várias vezes e tenho certeza de que você também já fez o mesmo. É inevitável seja por não gostarmos de determinado ator ou diretor, seja por rejeitarmos tal estilo ou gênero. A situação se complica quando chegamos a excluir – ou excluir-se – a pessoas que gosta de algo avesso às nossas interpretações e ideais. Mas isso é outra história e fica para depois.

De qualquer forma, a indagação veio de duas maneiras em minha mente: a primeira oriunda de uma lembrança em que uma amiga elogiou um filme estrelado pelo fraco galãzinho Paul Walker – se me recordo fora No Rastro da Bala – e rapidamente o taxei de “policial menor”, ou “pérola para Sessão da Tarde”. Isso ocorreu há três anos e não vi a obra até hoje; porém continuo achando o mesmo e talvez nunca o veja.

O segundo motivo está no site Cinematical. Cada membro do site escreve sobre um filme que jamais assistirá e explica o porquê de não fazê-lo. No caso, li o artigo de Dawn Taylor sobre A Lista de Schindler. Segundo ela, as razões são tão pessoais que perdeu o interesse, além de relembrar momentos tristes de sua vida em 1993, mas o fator principal se deve ao próprio diretor Steven Spielberg que, segundo ela, foi “capegando” com o tempo e tornando-se enfadonho com adaptações de massacres e escravidão.

Dentre a maioria dos internautas que repudiaram tal tipo de coluna, destaco dois que rebateram este artigo especificamente:

Internauta 1
– Eu não gosto desse filme.
– Você o viu?
– Não, mas não gosto.

Internauta 2
– Você aprecia o gosto da urina?
– Não.
– Você já bebeu?
– Não, mas usei meus poderes de observação para deduzir que desde que sei de onde vem e não ligar muito para o cheiro, ao invés de beber mijo, eu posso ter uma Coca.
– Oh.
– Mas aí, provavelmente eu não começaria um novo segmento chamado “Por que eu não beberei mijo”. Pois, sabe, eu não trarei nada à tona.

O problema não é realmente o fato da pessoa não assistir tal filme, mas a tentativa de explicar o porquê de não vê-lo. As opiniões de ambos internautas de alguma forma estão corretas. Que diferença faz isso? Para onde ir com um assunto que não leva a lugar nenhum? O que estou fazendo ao tentar questionar este tipo de posicionamento? Afinal é possível opinar sobre um filme sem tê-lo visto?

A começar pela diferença, esta não existe mesmo porque sem julgamento sobre um assunto ao qual não se conhece, não há discussão, certo? Por sua vez, o assunto não vai adiante e felizmente morre. Agora, questiono porque além de ter participado deste tipo de situação inumeráveis vezes, uma grande parte das pessoas que vai às locadoras dependem desse posicionamento por parte do atendente. É uma relação de dependência. E, neste processo, sim é possível dar sua opinião sobre QUALQUER filme, até pornô – mesmo o funcionário sendo um puritano de carteirinha. Desculpem-nos clientes, mas vocês são todos tapados.

É questão de piloto automático. O atendente faz seu trabalho com dinamismo e assiduidade e, portanto, quase todos os filmes se tornam bons para simplesmente passar pelo crivo da clientela e ser alugado. Puro apelo mercadológico. Contudo, mesmo que tais opiniões declaradas sejam positivas, o diálogo acerca do produto não dura muito. E o funcionário toma cuidado para não avançar num terreno desconhecido, afinal ele não pode (e nem deve) assistir mais de 10% do acervo da loja.

Fora esse trabalho, eu não consigo visualizar motivos para opinar sobre um filme cujo enredo ou personagens passem sem uma observação atenta do espectador. Procede? Eis o ponto: como toda mercadoria – para os intelectuais, arte – deve haver algo que atraia o público; se o negócio não chama a atenção de determinada pessoa, é muito provável que esta tenha desprezado – inconsciente talvez. Milhares de reclamações foram feitas acerca do trailer de Avatar, que estreará em dezembro, mas dispostas por uma massa de gente que viu pela internet e perdeu (ou não quis) ver a versão em 3D e IMAX.

Isso é um exemplo. Na verdade, cada filme, livro, música, pintura, escultura, fotografia etc. tem como principal meta ser avaliado por alguém. Portanto, sem vê-los, sem senti-los não podemos impugná-los a nada. É uma pena que nosso gosto pessoal se estabeleça freneticamente ao libelo do conhecemos e de nossos ideais. Sempre perderemos algo o que exprime uma estranha sensação de que continuamente se requer um novo aprendizado. De maneira não muito favorável também defrontaremos com nossas escolhas para analisar tudo. Sendo assim, talvez nunca veja realmente No Rastro da Bala. Não que me importe com isso.

Blockbuster fechará lojas nos Estados Unidos

Peguei uma notícia do Vírgula sobre a Blockbuster: segundo consta, para a empresa se recolocar no mercado de home vídeo, ela pode fechar 960 unidades até o ano que vem. Não é muito surpreendente, a nós brasileiros esta vídeolocadora já deixou de existir há dois anos quando fora comprada pelas Lojas Americanas.

A Blockbuster deixou de ser um dos principais meios para se alugar filmes nos Estados Unidos, pois duela contra a cibernética Netfix e a rede de quiosques da Redbox, além claro dos downloads externos. Por enquanto a fuga das locadoras é grande em prol da comodidade da concorrência.

Fruto agressivo da escala industrial estadunidense, a Blockbuster tornou-se uma das maiores redes de locadora de filmes no mundo na década passada. Lembro-me de quando chegou ao Brasil em torno de 1994-95. Eles diziam que tinha de tudo em matéria de filmes e games, além de um bom atendimento e seu visual à lá supermercado.

Na época, a empresa bem que tentou praticar dumping contra grandes concorrentes nacionais – em São Paulo, tinha Vídeo Norte, Premiere Vídeo, 2001 e a falida Hobby Vídeo –, mas rapidamente foi obrigada a aumentar os preços da locação. Por sua vez, as rivais conseguiram se posicionar muito bem devido à fidelidade da clientela, algo que a Blockbuster pouco usufruiu devido ao seu imediatismo em larga escala em prol dos lançamentos do momento; depois se desfez de um catálogo mais completo e se firmou com os produtos “quentes”.

Além disso, houve as derradeiras inadimplências dos usuários e o excessivo de atraso das locações que causaram uma parcial fuga de clientes. Aquela fresta do quickdrop era prática demais, mas arruinou a empresa; e somente a rede norte-americana que possuía tal facilidade. Por isso que a rede Redbox tem obtido sucesso: muitas vezes as pessoas nem devolvem os filmes e fica por isso mesmo.

Hoje, a Blockbuster é um pedaço enfiado num canto de uma loja de conveniência. Apesar de obter sua lucratividade, está mais para um sonho enfadonho de domínio estrangeiro que já passou.

Atualização: neste ano de 2010 a empresa vai de mal a pior. Em março, a Agência Estado publicou a matéria Blockbuster alerta que pode pedir concordata; nas duas últimas semanas isso tem se intensificado o que pode acarretar em decreto de falência neste mês de setembro.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Henry Gibson: 1935-2009

Você conhece Henry Gibson? São tantos nomes que surgem na indústria cinematográfica que muitas vezes ninguém se lembra de alguns de seus mais característicos participantes. Olhando para a foto pode-se até lembrar quem é, mas o que ele fez...

Bem, ontem faleceu um dos grandes atores coadjuvantes norte-americanos com mais de 100 participações dentre eles poucos filmes e muitas séries. As mais recentes foram a dublagem de Bob Jenkins em O Rei do Pedaço e o juiz Clark Brown em Justiça Sem Limites (com William Shatner e James Spader), este seu último trabalho. Há ainda presenças marcadas em Mulher Maravilha, A Ilha da Fantasia, Star Trek: Deep Space Nine e Stargate SG-1, entre outros.

No cinema, iniciou a carreira num pequeno papel em O Professor Aloprado (1963) de Jerry Lewis. Mas os mais velhos se recordarão de excêntricos personagens como o líder nazista de Os Irmãos Cara-de-pau (1980) e o chefe de família que se instala na casa ao lado da de Tom Hanks em Meus Vizinhos são um Terror (1989). Outros trabalhos conhecidos são em Nashville (1973), Viagem Insólita (1987) e Magnólia (1999), além do bisonhamente bizarro O Monstro do Armário (1986).

Fica o registro a memória deste ator eclético que faleceu aos 73 anos em causas ainda desconhecidas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Patrick Swayze: 1952-2009


Patrick Swayze sempre será lembrado pelos passos de Dirty Dancing, o fantasma amigo e enamorado de Ghost e o assaltante-esportista radical de Caçadores de Emoção. Estes são os representantes de seu estrelato internacional e o ápice de sua carreira. Nunca foi esquecido, mesmo trabalhando no cinema independente por tanto tempo quando, por vontade própria, escolheu ficar longe do mainstream hollywoodiano.

Mesmo durante essa “fuga”, não há como negar que havia falta de carisma. Isso ele transmitia a cada projeto apesar de poucos serem realmente memoráveis. O início da carreira foi onde fulguraram os mais combativos como em Vidas Sem Rumo e Amanhecer Violento. Pode-se dar valor às suas atuações, afinal dificilmente saíram inexpressivas ou superficiais.

Como citado anteriormente, conseguiu emocionar mulheres no mundo todo como Johnny Castle e Sam Wheat, e cativou os marmanjos com o canalha surfista Bodhi. Desde que levou à mídia sua luta contra um câncer no pâncreas, muita gente o apoiou – o mesmo caso de Farrah Fawcett. Tentou, mas não conseguiu ver uma cura para esta situação. Desta vez, dificilmente ele se corresponderá com a Whoopi Goldberg.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A mediocridade dos títulos de filmes

Existem nomes de filmes que simbolizam um descaso com a inteligência do espectador. Na verdade, há anos tais títulos envergonham o verdadeiro apreciador do cinema extraindo equivocadamente termos que nada condizem com o conteúdo da obra. Não é de hoje e não tem hora para acabar já que de tempos em tempos uma revista ou jornal bate neste ponto devido à falta de originalidade e desrespeito ao trabalho alheio.

Nesta sexta-feira, estréiam dois casos bem evidentes de títulos sem vergonha: Uma Prova de Amor e Falando Grego – um drama familiar e uma comédia romântica, respectivamente. Ambos poderiam ter nomes simples como “A Guardiã de Minha Irmã” (apesar da rima cafona) e “Minha Vida em Ruínas”, contudo as pessoas que criaram os títulos oficiais possuem a sabedoria levianamente limitada e, por isso, procuraram por meio de um apelo fácil chamar a atenção do público através de palavras-chave um tanto dissimuladas.

Vejamos o primeiro filme. A história se concentra numa garota adolescente que descobre a verdadeira faceta de sua existência: doar medula óssea à sua irmã mais velha que luta contra a leucemia. O embate se estabelece quando passa a questionar a atitude dos pais mesmo sendo uma espécie única estabelecida como “guardiã” de outra pessoa. Desta forma, o título Uma Prova de Amor mostra-se ilógico. Abranda o fato e o esconde do espectador sendo que no original My Sister’s Keeper a idéia proposta é escancarada; além disso, através de expor as palavras “prova” e “amor” evidencia-se um filme de claro caráter emotivo, mas que subtrai a análise de quem o assiste – em minha visão não existe qualquer prova de amor na história do livro, por exemplo.

Isto me lembra aquele filme cujo personagem era um pai com deficiência mental interpretado por Sean Penn que tentava obter a guarda da filha na justiça, Uma Lição de Amor. O nome original I Am Sam era simples e já até introduzia a apresentação do angustiado pai. No entanto, o estado de espírito do tradutor (ou marketeiro) falou mais forte e surgiu a tal “lição de amor” para estampar encartes e banners por aí. Engraçado que, com relação a outro filme do mesmo naipe, estendeu-se o título original Radio para Meu Nome é Rádio. Ambos não são dos mesmos produtores e sequer do mesmo estúdio, mas a incongruência aparece descaradamente.

Falando Grego é um caso à parte. Depois de Nia Vardalos atuar em Casamento Grego sua persona vinculou-se a ele como Christopher Reeve se fixou em Superman. Já trabalhei em locadora e nunca vi uma pessoa que tenha deixado de perguntar: “essa não é a atriz daquele filme do casamento?” Isso acontece com muitos atores em projetos memoráveis, mas a atriz e a obra se misturaram afinal o outro “grande” projeto dela foi o esquecível Connie & Carla. Ou seja, para o público reconhecer e lembrar quem é Nia Vardalos associaram Falando Grego com Casamento Grego. O fato de ser do mesmo gênero e constituir sintonia com a Grécia torna-se fatídica a associação. E, desta forma, perde-se o título original My Life in Ruins que quer se conectar a concepção da nação grega: uma vida fragmentada num país geográfica e historicamente fragmentado.

Não é por criticismo que escrevo com indignação sobre o assunto. Alguns títulos brasileiros conseguem se redimir mantendo no mínimo a essência do produto, outros de tão intraduzíveis ficam com o nome original. Porém sempre surge umas aberrações, principalmente entre os dramas e as comédias. É primordial que estes venham taxados com termos extremamente emotivas ou estupidamente idiotas – caso de O Som do Coração (August Rush, o nome do personagem principal) e Se Beber, Não Case! (The Hangover, ou “A Ressaca”).

Este tipo de ruína dos títulos assegura o aspecto marketeiro para a divulgação de filmes. Como existem coisas mais importantes na vida para se fazer (inclusive ler este texto), as pessoas pouco indagam e questionam. Está cada vez mais difícil de pensar em novos assuntos ou novas idéias; por isso, mastigam-se nomes, estilos, gêneros através de palavras-chave. O público os assiste por associações simples e, dependendo de um gosto particular, acaba se ferrando. Foram ignorados e, pior, sua capacidade de compreensão foi menosprezada.

Uma observação: Em Portugal, o título My Life in Ruins ficou exatamente como o original, A Minha Vida em Ruínas; The Hangover traduzido também ficou como A Ressaca.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Jeremy

Sempre vi o grunge como uma fúria silenciosa, aquela que não dá ultimatos e, depois de certo tempo, explode com tanta violência que não sabemos demonstrar onde estava o perigo inicial. Algumas vezes, esse estouro nem é externo, mas interno, o que replica até nas confusas circunstâncias da morte de Kurt Cobain. O suicídio passaria a se estabelecer como implosão de sentimentos e devaneios autodestrutivos.

Tendo esse tipo de representação introspectiva à lá big bang, a banda Pearl Jam lançou em 1991 o álbum Ten; nele havia canções pesadamente intrincadas e, mais tarde, bem sucedidas. Uma delas era Jeremy. Poucas canções conseguem buscar a biografia de alguém e dignificá-la numa melodia – um caso esplêndido é Hurricane, de Bob Dylan –, mais difícil ainda está no fato do personagem principal ser um garoto desiludido que se mata em sala de aula na frente de colegas. Sua vida pôde ser curta, mas seu ato ecoa no tempo.

No fato real, Jeremy Wade Delle é o próprio desespero enquanto vive sua juventude: quieto, praticamente sem amigos, supõe-se sofrer bullying. Ninguém lhe dá a mínima e ele resolve “satisfazer” a si mesmo através de um ato grandioso. Como o próprio vocalista Eddie Vedder explicou que a inspiração da música “veio de um pequeno parágrafo num jornal que significa você se matar, realizar um grande sacrifício e obter sua vingança. Tudo o que se pode conseguir no fim é um parágrafo no jornal.” Segundo Vedder, ele também teve um colega de escola que tentou uma espécie de reconhecimento com um tiro, mas este ato não matou ninguém.

A inspiração constou numa nota jornalística, mas Jeremy foi (e é) uma canção polêmica. Invariavelmente, diversos desses apelos juvenis tornam a surgir com os anos em todo o lugar. Em escala internacional pode-se considerar o caso da chacina em Columbine o maior – capaz até de Vedder dizer “De novo!” toda a vez que acontece isso. E essa atemporalidade da música que, em suma, precisava de um apelo visual.

O clipe não negligencia a letra, pois invoca uma análise, busca por respostas. Um garoto que enfia uma .357 Magnum na boca e explode sua cabeça na sala de aula não pode ser tratado com um espanto simplista. Este completamente ignorado pelos pais não consegue criar enraizamento social, pois não há estímulos. Jeremy equilibra-se diante de um abismo sem perspectivas nos subúrbios intolerantes aos esquecidos mais fracos. As imagens confrontam o desespero deste personagem, sua violência contida, suas más idéias com relação à própria vida.

O vocalista atribuiu o seguinte: “64º [Fahrenheit] e nublado em um bairro suburbano. Este é o início do vídeo e ao seu final. Nada muda. O mundo continua enquanto você foi embora. A melhor vingança é viver e provar a si mesmo sendo mais forte que aquelas pessoas. E então você pode voltar.” Ou seja, a polêmica atribuída não se vincula ao alerta (não intencional, talvez) que o Pearl Jam demonstrou, mas a incômoda situação de assistir uma pirotecnia visual sem atenção.


Se não funcionar, clique aqui.

Existe uma primeira versão deste clipe que a gravadora não aceitou. Realizado pelo fotógrafo Chris Cuffaro e de caráter independente, o vídeo é mais escuro e obviamente simples, contudo há neste trabalho uma ênfase interessante de isolamento profundo que pode evidenciar o caráter sinistro dos pensamentos de Jeremy.

domingo, 30 de agosto de 2009

Sandra Werneck

A cineasta brasileira Sandra Werneck participou de um encontro com amantes de cinema ontem, dia 29, na Biblioteca Temática Roberto Santos. Antes da sabatina houve a exibição de seu primeiro filme de ficção, Pequeno Dicionário Amoroso (1997). Por favor, não me condenem por dois motivos: um, existe um ou outro spoiler de dois filmes para quem ainda não os assistiu na matéria; o outro são as fotos que foram tiradas de celular (muito melhor que o meu por sinal); até tinha levado a minha câmera, mas o ambiente escuro e o flash que vai direto na cara dos outros estragam tudo. Tenho que dar crédito à minha amiga Bozolina pelo trabalhão que ela fez naquele breu.

Os filmes de ficção
O início da carreira ocorreu na década de 1970 numa época em que faculdades de cinema ainda não existiam e, portanto, fez curso de direção na região do Parque Lage, no Rio de Janeiro. De lá, sua primeira película nasceu, filmada em Super 8. Já Bom Dia Brasil, o primeiro documentário, viria a ser lançado em 1976. Nesse período e nos anos seguintes, Sandra participou de outras produções sendo assistente de direção. “Nessa época um trabalhava no filme do outro de graça”, afirmou. Mais tarde, seguiu como diretora de comercialização de documentários e curta-metragens da Embrafilme (1984-1985) e diretora da Lumiar Produções Cinematográficas (1986-1989), além de realizar meia dúzia de documentários de curta-metragem.

Eis um ponto em questão: o primeiro trabalho de ficção somente realizou-se quase 20 anos depois de Bom Dia Brasil. Por quê? “Eu fiz uns dez documentários antes de realizar Pequeno Dicionário, pois é muito complicado fazer um longa [metragem] logo de início,” ela explica. “No documentário tem que se estar muito atento para a emoção do entrevistado. Isso me ajudou a tratar cenas com atores, sem monopolizar nada.”

A cineasta avalia que “Pequeno Dicionário surgiu de uma história autobiográfica, pois estava me separando e precisava falar sobre esse assunto.” Um dos motivos para essa representação está no fato do rumo distinto dado aos personagens centrais. “Eles não podiam ficar juntos; precisavam viver a vida deles”, consola-se. Inusitadamente, a atriz Andrea Beltrão ficou grávida quando começaram as filmagens. Apesar da espera de nove meses para o retorno de sua protagonista, Sandra pôde retrabalhar o roteiro inteiro e viabilizou a captação de novos financiadores para o projeto. Após a estréia, a obra atraiu pouco mais de 400 mil espectadores o que uma representatividade para o cinema brasileiro no início da Retomada. “Lá fora, meus filmes venderam muito bem. Tanto que um amigo me mandou uma foto do pôster de Pequeno Dicionário estampado em alemão numa sala de cinema”, completa a diretora.

Posteriormente, Sandra Werneck se preocupou mais com a narrativa de uma estória do que a questão amorosa inserida nela. Surgia Amores Possíveis (2001), um fantasia de amor cujo personagem busca sentidos para sua futura vida em mundos paralelos sendo apenas um real. Por este trabalho, a cineasta se deparou com o Festival de Sundance. Segundo ela, “quando ganhei lá, não acreditei! Minha filha me empurrou para o palco e eu não queria sair do banco”. Na categoria de Cinema Latino-Americano, o prêmio foi dividido com o filme mexicano Sem Deixar Pistas, de María Novaro.

Três anos depois, Cazuza – O Tempo Não Pára tornou-se seu próximo projeto, contudo, não participou da produção. “Sempre sou produtora e diretora dos meus filmes, mas neste fui diretora contratada”, explica. Os onze tratamentos dados ao roteiro precisavam de uma marca real nas cenas, portanto, era necessário “alguém com problemas reais” para tratar deste personagem. Ela conta: “Não podia colocar o Cazuza como a Xuxa; pela Globo Filmes o filme seria muito mais careta.” A despeito da grande produção global, o público compareceu em massa às salas tornando o filme o maior sucesso do cinema brasileiro em 2004, com mais de três milhões de espectadores – Olga estava pouco atrás.

Falando de realidade
Durante a sabatina, o documentário Meninas acabou tendo papel fundamental na discussão ora pelo pouco agrado às massas ora pelo caráter substancial de ensinar e alertar. A proposta está na exposição do cotidiano de três garotas adolescentes grávidas que vivem na periferia ao longo de um ano. A região escolhida foi o Rio de Janeiro pela facilidade da produção, mas houve entrevistas em outros estados como Minas Gerais, Paraíba e São Paulo. Além de voltar o gênero que alavancou sua carreira, Sandra avalia que este “filme mostra uma realidade; é um instrumento que quero que passem em todas as comunidades possíveis. Eu queria entender a vida dessas meninas”.

“Mandei Meninas para todas as Secretarias de Educação. Ninguém me respondeu. Em compensação as professoras do Maranhão, Amapá e outros lugares requisitaram o vídeo. Tanto que foi um dos filmes mais vendidos da [distribuidora] Vídeo Filmes”, argumenta a cineasta. “Devia passar em todas as escolas. É um filme educativo, como outros documentários que fiz.” E completa: “Você vê com graça. Eu sou carioca, e às vezes, olho para uma comunidade e vejo que as pessoas são muito mais felizes.”

O documentário chamou a atenção de Sandra para criar uma ficção sobre essa realidade em Sonhos Roubados, a ser lançado em 2010. Para isso, usufruiu das histórias e da interpretação de atores amadores. Isso proporcionou a diretora uma maneira nova de ver o trabalho dessas pessoas: “Eles dão um frescor, sem vícios, tem algo verdadeiro no que fazem. A Marieta Severo consegue ser nova a cada papel, mas muitos atores não conseguem. Alguns se repetem o tempo todo, passam a ser eles mesmos.”

Deste modo, quanto a este aspecto, Sandra amplifica os experimentos trazidos pelos intérpretes. “Gosto disso, das características, das atividades. Não tenho amarras. Nunca diga o que quero; nunca marco o ator, pois aqui [o set] é seu ambiente.” E emenda: “É muito melhor que ele traça o que tem que fazer do que você estabelecer.” Por isso, ela prefere que o papel certo da direção esteja na colaboração. “Eu mesma faço os testes.” E “quando escrevo um roteiro, penso em algumas pessoas. Nem sempre as uso; muitas vezes deixo em aberto”. Um exemplo está no papel de Daniel Dantas em Sonhos Roubados: “ele ficou ótimo de tio pedófilo porque ele tem cara de bonzinho.”

Dentro deste panorama, ela faz uma decupagem mental prévia para as cenas a serem filmadas que, às vezes, batem contra a fotografia de Walter Carvalho (co-diretor de Cazuza), seu principal parceiro no cinema. Com ele lá, Sandra arrazoa que não precisa se preocupar com a fotografia. Mas de acordo com seu senso, as produções são morosas: “Três anos fazendo a mesma coisa é um saco. Demora mais tempo pra conseguir dinheiro do que filmar.”

Por outro lado, Sandra apela para projetos singulares. Seus filmes novos nunca têm a intenção de repetir os já realizados. Não à toa, sua fonte de pesquisa se restringe a cineastas como Lars von Trier, Pedro Almodóvar, Federico Fellini, Pier Paolo Pasolini. “Todos eles juntos moldaram meu olhar sobre cinema. Quando fiz Cazuza, assisti E Sua Mãe Também como referência”, revelou. Além disso, “meus trabalhos tem sempre algo psicológico”. E como declaração final [literalmente, foi uma das últimas coisas que disse]: “Acompanho tudo em meus filmes, até o cartaz que será lançado. É como um filho; eu tenho de cuidar.”

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Por que a Xuxa recebeu uma homenagem no Festival de Gramado?

Infelizmente eu não tenho a resposta. Desde que ouvi falar do Festival de Gramado, percebi que muitos filmes participantes são, em sua maioria, esquecidos – observe, não são esquecíveis. Quem se lembra de Cassy Jones: o Magnífico Sedutor? Luís Sérgio Person recebeu um prêmio de diretor por esta obra. Ou, que tal, For All - O Trampolim da Vitória? Este ficou com o Kikito máximo de melhor filme em 1997 quando a produção cinematográfica brasileira ainda (re)engatinhava.

E, diante de tal posição pouco memorável para o festival – além de quem participa dele –, uma comissão resolve promover categorias especiais, com intuito de homenagear célebres artistas que auxiliaram o nosso cinema a ser o que é. Renato Aragão recebeu uma dedicatória por sua enorme contribuição ao lado do grupo Os Trapalhões sendo que este comediante é tão ilustre quanto seu antecessor popular, o grande Amácio Mazzaropi. Tá, mas por que a Xuxa merece tal honraria?

No portal G1 (olha só, da Globo...) está escrito o seguinte:

Segundo Alemir Coletto, presidente da mostra gaúcha, esse tipo de reconhecimento aos filmes infantis demonstra o “espírito democrático” do festival. “Ao longo de sua carreira, Xuxa foi uma atriz e produtora que ajudou a popularizar os filmes nacionais. O festival se engrandece de poder contar com sua presença como celebridade e ícone do nosso cinema”.
Coletto explica que a comissão organizadora da mostra escolhe os homenageados “por sua contribuição ao cinema brasileiro, independente do gênero dos filmes”. Já os filmes da mostra competitiva são selecionados por um grupo de especialistas. Por isso, uma produção infantil dificilmente concorreria no festival.
“É importante não confundir homenagem com mostra competitiva. Os filmes selecionados para a competição são determinados por um júri especializado, que leva em conta diversos elementos. A homenagem é um registro das personalidades importantes para a engrenagem do nosso cinema, independente das funções que desempenhem na frente ou atrás das câmeras”, explica o presidente.

A melhor resposta a isso foi escrita por Pablo Villaça em seu blog:

Surpreso com a notícia, faço uma rápida busca e descubro que a justificativa por trás da homenagem é o fato da Rainha dos Baixinhos ter levado "36 milhões de pessoas" aos cinemas com seus filmes. E, para mim, isto ajudou a solidificar uma opinião que muitos já manifestaram em voz alta: o Festival de Gramado acabou.
E mal posso esperar pela homenagem a Michael Bay no Oscar 2010.

Não tenho como discordar do editor e crítico do Cinema em Cena. Inclusive, imaginei o mesmo lance sobre o grandioso diretor de Transformers. Em que a Xuxa contribuiu ao cinema brasileiro? Ela não interpretou personagens, mas a si mesma. Seus filmes maniqueístas e despropositais não encantam pessoas em si, mas enchem a cabeça alheia de pensamentos vazios de uma moça, ou melhor, de uma mulher adulta querendo ser princesa. Isso é um benefício?

Daria um crédito a Lua de Cristal por ser parte da minha infância, contudo, em termos de história nada mais é do que uma redundante alegoria da apresentadora; um produto bem vendido e, por isso, tornou-se o maior sucesso de público em 1990. E quanto aos outros? Super Xuxa Contra Baixo Astral (1988) foi uma cópia chinfrim e paupérrima d’O Labirinto (1986); e também conta com uma das piores canções da época o que até enaltece o filme de David Bowie postulando-o a uma obra-prima.

Depois de Lua de Cristal, a Rainha dos Baixinhos ficou nove anos sem lançar outra investida de sua humilde soberba na grande tela. Quando chegou 1999, Xuxa Requebra estourou nas bilheterias brasileiras e deu início a uma série de trabalhos sem qualquer ideologia, eficácia cinematográfica ou comprometimento lúcido com uma interpretação. Sabe o que é interessante? Nos Estados Unidos, Michael Bay faz o mesmo! Sabe o que é pior? Ele também ganha um grana preta fazendo isso! Porém, existe uma diferença: no presente momento, nenhum representante do Globo de Ouro ou da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood se manifestou quanto a conceder tal honraria a esse intrépido diretor. Na verdade, Edward D. Wood Jr. mereceria muito mais uma homenagem (nem que fosse póstuma!) do que Bay. Quer saber, Arnold Schwarzenegger merece mais o tributo.

Houve um vazio nesse festival. Para preencher o espaço, a comissão cometeu a atitude infame enfiando um pobre conceito de cinema. Pelo menos, conseguiram ter atenção popular apesar de não ser da melhor maneira.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

John Hughes: 1950-2009

Apesar de ter ocorrido ontem vi a notícia apenas hoje: John Hughes morreu de ataque cardíaco aos 59 anos. Muita gente nem vai saber quem o é homem assim pelo nome, mas ele foi um mestre em condicionar aos adolescentes um papel mais inteligente na vida mundana. Seus filmes são representativos para a geração dos anos 80 embora atraiam qualquer um a reprisá-los inumeráveis vezes só para sentir o gostinho da nostalgia juvenil.

De sua mente saíram obras carismáticas como Gatinhas e Gatões, Mulher Nota 1000, Esqueceram de Mim e A Garota de Rosa Shocking – os dois últimos apenas como roteirista. Fez seu público fiel se emocionar com Clube dos Cinco e literalmente torcer pelo passeio extravagante de Ferris Buller em Curtindo a Vida Adoidado. Ambos podem sim serem levados à definição de obras-primas. Talvez nem Kubrick, Scorsese, Bergman, Godard ou até mesmo Spielberg capturassem o espírito adolescente daquela forma tão singela e explosiva sem perder a inocência da situação ou do diálogo.

Nesses últimos anos, John Hughes distanciou-se do cinema. Seu último filme como diretor foi lançado em 1991 (Curley Sue: A Malandrinha); o roteiro final veio Meu Nome é Taylor, Drillbit Taylor, com Owen Wilson em 2007. Um expoente do cinema que cresceu, mas nunca deixou de compreender a juventude, que, às vezes, é mesmo uma rebelde sem causa.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Reboots: quem começou?

Perambulando pela internet muitos sugerem que a onda de reinícios para franquias tiveram como causa mortis Batman Begins e que Christopher Nolan apresentou uma inovação ao moldar uma cinessérie com qualidade e inteligência, em detrimento das versões antigas. Contudo, outros produtores propuseram excluir trabalhos anteriores e começar tudo de novo antes da roupagem moderna do Homem-Morcego. Tem sido um método muito eficaz nos últimos anos, mas não é algo novo e nem hollywoodiano. Em passagem rápida pela história do cinema pode-se verificar que os japoneses fizeram reboots aparentemente com bastante eficiência.

Um monstro atômico
Em meados da década de 1980, a Toho programou um reinício à franquia Godzilla. Depois de quinze capítulos da era Showa, o lagarto-baleia apareceu diferente em O Retorno de Godzilla que ignorou completamente as seqüências lançadas entre 1955 a 1975 fixando-se apenas no original de 1954. Antes o monstro era tratado como herói salvando humanos de inimigos alienígenas e as estórias buscavam avivar mensagens acerca de problemas sociais; na era Heisei, o mesmo seria uma espécie de anti-herói, com ares mais intimidadores e seus capítulos proporcionaram uma ordem cronológica. Esse período durou sete filmes até finalizar em 1995.

Três anos depois, a Toho virou parceria da Sony para fazer uma versão americanizada do lagarto japonês. Intitulado Godzilla, o filme teve direção de Roland Emmerich e produção de Dean Devlin sendo que ambos escreveram o roteiro. Embalados pelo blockbuster do estúdio Fox, Independence Day, o projeto avançou apresentando um monstro atlético – mais animal, sem a tradicional “pancinha” – e jogando a “culpa” por sua criação nos franceses em decorrência dos testes nucleares realizados na Polinésia – no Japão, a culpa é dos Estados Unidos com suas bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.

O filme não fez diferença nenhuma em termos culturais tornando-se um fracasso de bilheteria tão estrondoso quanto seu merchandising e, embora permita uma continuação, esta nunca foi levada adiante. Por sua vez, a Toho seguiu adiante e “rebbotou” a franquia pela terceira vez, iniciando a era Millennium. Godzilla 2000 voltava às origens nipônicas enfatizando o medo das pessoas, mas sem qualquer relação de continuidade nos seis filmes da série.

O novo 007
Em outro exemplo, há no Ocidente um dos mais célebres personagens da Guerra Fria: James Bond. O espião de Sua Majestade sofreu alternâncias com variados intérpretes ao longo de 40 anos, mas mantendo muito de sua essência através de vilões característicos e aliados de sempre – desconta-se a atuação que tinha detalhes distintos na personalidade de cada ator. De acordo com a cronologia oficial dos filmes, os primórdios de sua carreira foram parcialmente omitidos, mas daí sempre se pôde ler os livros para conhecer tal estória. E após o 20º capítulo, os produtores resolveram fazer um reboot à franquia, verdadeiramente o primeiro – quem sabe, o único.

Admirável que se inclua erroneamente Batman Begins como o catalisador do reinício da saga do espião. Enquanto os produtores buscavam diretor, atores e locações para as filmagens de Cassino Royale, um primeiro roteiro era escrito no ano de 2005 por Neal Purvis e Robert Wade; e, no segundo semestre, ele foi reescrito por Paul Haggis. Paralelamente, Christopher Nolan terminava a pós-produção de sua idéia para a franquia da Warner que estrearia em junho daquele ano. Então como o Homem-Morcego poderia afetar James Bond? Bem, não fez nada para incitar tal reação. O interesse para a nova fórmula de Bond estava a cargo de duas franquias: a saga de Jason Bourne e de Jack Bauer.

Por incrível que pareça, nem sempre os dois têm essa credibilidade, mas é fato que a Universal e Fox construíram um novo estilo da espionagem moderna. Lançado em 2002, A Identidade Bourne tinha algo novo, mais real, mais frenético. Naquele verão americano apareceu logo após a estréia de outra tentativa de reboot, A Soma de Todos os Medos. Ambos queriam identificar o público com o mundo atual, uma espécie de realidade paranóica, coincidentemente após os atentados de 11 de Setembro. Em matéria de renda, empataram. Só que o reinício para Jack Ryan provou ser fogo de palha e até hoje o estúdio Paramount tenta reerguer a série.

Neste momento também, a série de TV 24 Horas chegava à segunda temporada. Esbanjando absurdos, criatividade e realismo, seu herói carismático empreitava uma verdadeira caçada terrorista dentro do mundo estadunidense. O programa atingiu um público massivo e não passou longe de assuntos sociais relacionadas à tortura, fundamentalismo e paranóia coletiva. Além disso, Jack Bauer atravessava linhas tênues de todo o tipo para conter inimigos da democracia, como seu próprio país fez e ainda faz como “xerife do mundo”.

Aí, em novembro de 2002, a MGM lançou Um Novo Dia Para Morrer. O herói de ação Bond não passava de um personagem que brincava de ser espião cujo mundo beirava ao maniqueísmo auxiliado por fanáticos que constroem castelos de gelo. Esta diversão escapista apresentou um Pierce Brosnan bem mais velho, mas rendeu uma boa grana tornando-se o filme de maior arrecadação da franquia – reajustando valores 007 Contra Chantagem Atômica de 1965 ainda é o mais visto na tela grande. Porém, os produtores notaram uma mudança de padrões rapidamente justamente com Bourne e Bauer.

A Supremacia Bourne (2004) provou que o antecessor não era um mero sucesso momentâneo e, em 2007, O Ultimato Bourne definiu o gênero de espionagem por completo por sua trama cabalística e complexa para este século XXI. Corroborando tais tramas internacionais, a série 24 manteve excelente ritmo para seu infalível intérprete durando oito temporadas e um filme para a TV. O fim do contrato com Pierce Brosnan abriu as portas para se repensar o espião inglês e daí o reboot foi declarado com Cassino Royale (estranhamente, também é uma refilmagem). Portanto, neste caso, Batman de nada auxiliou Bond.

Terror revisitado
A partir da década de 1970 surgiram filmes com grande apelo comercial que poderiam se enquadrar como franquias: Dirty Harry, O Massacre da Serra Elétrica, O Exorcista, Tubarão, Star Wars, Superman, Halloween e Sexta-feira 13. Muitos tiveram continuações excessivas que diluíam a idéia original em prol do sensacionalismo barato e violência sem contexto. Era, para o bem ou para o mal, uma época de intensificação do método de render dinheiro que foi levada aos anos 80. Logo, o público-alvo adolescente extasiava-se principalmente com filmes de terror que engatilhavam sucessos através intermináveis seqüência sanguinolentas.

Na última década do século XX, metade desses filmes citados ou estavam enterrados ou em processo de abotoar o pijama de madeira. Contudo, surgiram ocorrências de “reboot de gêneros” incluindo-se aí o cinema-catástrofe e os assassinos em série carniceiros. O segundo caso se deu melhor, pois o custo era ínfimo, e começou em 1996 com Pânico, de Wes Craven. Essa nova onda do terror gerou trocentos filhotes ao redor do mundo e abriu brecha para assuntos ligados exclusivamente aos jovens, avivando até as comédias românticas.

Passada essa febre juvenil, surgiu outra: o da violência explícita. Em 2003, O Massacre da Serra Elétrica atualizou a carnificina do filme de 1974. Tratava-se de uma mera refilmagem, mas o sucesso tornou inevitável o método de revitalização e novos reboots sairiam cedo ou tarde. O Massacre ganhou um prequel quando a cinessérie Jogos Mortais atingia o estômago do espectador com uma crueldade absurda. E logo vieram Halloween e Sexta-feira 13. Em 2010, chegará à nova versão de A Hora do Pesadelo. E a saga destes monstros humanos não parece que chegará a um fim.

O caso Batman e os quadrinhos no cinema
O “filme evento” de verão renasceu com Batman, em 1989. O marketing agressivo chamou a atenção do público e a obra de Tim Burton tornou-se um dos maiores sucessos da história de Hollywood. Como o diretor não curtiu a experiência do primeiro filme, pois afirmou “trabalhar com uma arma apontada para a cabeça”, ele teve aval completo para dirigir a seqüência que chegou três anos depois. Mais sinistro e bizarro Batman: O Retorno saiu caro, foi pago e gerou certo lucro, mas não usufruiu da mesma renda de seu antecessor.

A Warner decidiu mudar seus planos achando que filmes sombrios de quadrinhos não interessavam ao público familiar. Resgatou uma idéia pré-Frank Miller e seu Cavaleiro das Trevas: adaptar o seriado do Batman dos anos 60. Se for considerar o primeiro reboot de uma franquia norte-americana, Batman Eternamente deve ser ela. Algumas evidências para tal conceito: visual mais colorido, Bruce Wayne volta a ser atormentado pela morte dos pais, sem cronologia com os antecessores, mais humor. O sucesso comercial deste terceiro capítulo e de Tempo de Matar em 1996 colocou Joel Schumacher num pedestal e, assim como Burton, o cineasta conseguiu total controle sobre Batman & Robin. Pra quê? Nada funcionou e o Homem-Morcego foi para a cova por tempo indeterminado.

Desde então Schumacher nunca mais dirigiu um filme que excedesse um custo de 70 milhões de dólares e manteve-se distante de blockbusters. A obra definitivamente marcou sua carreira. Em 2006, a revista Entertainment Weekly elegeu seu filme como uma das “25 piores seqüência já feitas” ocupando a quinta posição na lista. Em conseqüência disso, a Warner demorou seis anos para ressuscitar sua franquia mais rentável.

Pouco tempos depois, gerações distintas de espectadores consumiram adaptações de quadrinhos com imensa voracidade, pois há anos houve tentativas frustradas de se levar à telona personagens da Marvel. A espera acabou com X-MEN e, principalmente, com Homem-Aranha. Suas respectivas sagas foram em frente juntando cada vez mais público nas estréias e rendendo uma bagatela sensacional de dinheiro. Aflita, a Warner queria participar do terreno que perdeu com Batman & Robin. As produções de Batman Begins e Superman Returns eram o poder de fogo necessário para enfrentar o concorrente.

No entanto, alguns personagens Marvel não funcionaram tão perfeitamente. Em 2003, Hulk não convenceu muita gente devido à (ótima) montagem literalmente em quadrinhos e o “boneco de massinha” digital. O trabalho de Ang Lee consegue arrastar-se em muitas cenas, mas a pouca similaridade do personagem com a série dos anos 80 ajudou o público a manter distância. No mesmo ano, Demolidor mostrou o quanto o estúdio Fox estava desesperado para ter um sucesso igual ao da Sony e seu cabeça-de-teia. Afinal, a personalidade de seu herói aproxima-se muito de um sombrio Bruce Wayne do que algo ao estilo “filme família”. E, por fim, O Justiceiro de 2004 perdeu créditos dos fãs e parece não ter feito muita diferença para o filme de 1990, estrelado por Dolph Lundgren.

Por sua vez, o sucesso das franquias deixou a Marvel independente e o novo estúdio resolveu administrar seus próprios personagens a partir de 2007. Adquiriu de volta alguns heróis e, para manter o bom ritmo, fez dois reboots. O primeiro estreou em junho de 2008: O Incrível Hulk. Tudo era diferente: a concepção do personagem, os atores diferentes, a montagem (convencional) de filme de ação, a certa proximidade com a antiga série. Por incrível que pareça, também não funcionou fora do âmbito dos fãs. Seria o grande homem verde não crível mesmo para as fantasias exageradas de Hollywood? Bem, meses mais tarde chegou às telas o novo O Justiceiro. Como o antecessor, outro fracasso retumbante. Embora muito mais violento e utilizando a violência referente à mídia original, os problemas de produção afetaram a obra por completo.

Em outra rota, visto que havia chances de sucesso, a Warner investiu pesado em Batman e Superman. Lançado em 2005, o reboot do Homem-Morcego rendeu muitos frutos e havia vantagem em seguir a linha proposta por seu diretor-roteirista. Após três anos de espera e um marketing viral agressivo para os fãs, O Cavaleiro das Trevas fez história. Alguns críticos e admiradores afirmam que as adaptações de quadrinhos mudarão o foco tentando ser mais próximos do realismo dado por Nolan, mas resta ainda ver quem dará esse passo, se é que vai existir um seguidor.

Contrapondo-se, a continuação do Homem de Aço virou um caso à parte. O diretor Bryan Singer adotou o filme de 1978 e sua seqüência, de 1980, como ponto de partida para o seu trabalho. Superman Returns não é um reinício e muito menos um remake; corresponde ao episódio três. Contudo, mesmo com toda a aura, a aventura não atingiu as expectativas financeiras e deixou o estúdio na mão. Basicamente arrecadou o mesmo que seu colega da Liga da Justiça, mas o custo era de US$ 100 milhões a mais. Agora, Superman sofre com um papel indefinido e cheio de problemas. Ninguém ainda sabe se será “continuado” ou se receberá novo tratamento, bem como Quarteto Fantástico, Demolidor e Motoqueiro Fantasma.

A partir disso, esse excesso de recortes distintos de personagens reflete algo que já esteja vinculado ao processo criativo das histórias em quadrinhos. Como se vê muito na área, desenhistas e roteiristas passaram por grandes editoras e trouxeram idéias que foram se manifestando por intermédio de heróis e vilões. Esses inúmeros conceitos foram incorporados a quem hoje produz filmes, por exemplo. Os comics do cinema passariam pelo mesmo processo evolutivo de sua mídia de origem. Obviamente isso infestou para outras franquias e toda a complexa história de James Bond tenha ajudado e posteriormente usufruído do mesmo método somente agora.

Além disso, o novo século revisa seu antecessor em matéria das ciências como um todo. Os estúdios seguem esses passos e têm se caracterizado por aumentar o cinema com dezenas de adaptações, mas impuseram uma revisitação forçada realizando os famigerados remakes, os fatídicos reboots e os abissais prequels. Portanto, não foi Batman Begins o catalisador dessa situação monstruosa; na verdade, ele faz parte de um gigantesco processo bem ganancioso. Até assusta ler da boca de alguém a afirmação “conquistar uma nova geração de fãs” porque, na maioria das vezes, nunca parece que realmente isso vá dar certo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tonight, Tonight

O vídeo Tonight, Tonight da banda Smashing Pumpkins representa uma fase promissora e explosiva. Nunca fui um grande fã de seu material, mas sempre adorei este clipe. A letra motivadora e a nostalgia por parte do visual arcaico afloram a imaginação de qualquer um, o mesmo que George Méliès fez ao exibir em 1902 o primeiro filme de ficção científica da história do cinema, Viagem à Lua.

Nesse período, a Revolução Industrial alcançava patamares desconhecidos e revolucionários. Assim como, uma viagem espacial era inusitada para a mente da época, fazer um filme também o era; pensar em evolucionismo e socialismo idem. Apesar das idéias Darwin e Marx/Engels não serem tão novas, alastravam-se vorazmente na mente das pessoas. Num ritmo de progresso, o homem queria conquistar mundos.

E que mundos são Sol e Lua que já foram considerados deuses na percepção dos povos antigos. Eles estão ali, sempre estiveram passeando por nosso céu todos os dias a bilhões de anos. A sua movimentação é a nossa por conseqüência. Por isso, a Lua se torna mais que um personagem, torna-se uma vigilante protetora. Devemos admirá-la e aproveitá-la. Hoje à noite... Se der.

Tonight, Tonight e Right Now (da banda Van Halen) são tão punks e, do mesmo modo, se aproximam da satisfação pessoal como lema humanitário. Suas letras colhem o dia, confiando o mínimo no amanhã. Simbolizam a partida para o futuro sem que se deixe um pedacinho de juventude mudar as vidas das pessoas, as nossas vidas. Por isso, o casal viajante nunca questiona, eles vivem, deixam os deuses de lado sem desafios e apenas lidam com o que se cruza no seu caminho. Desta forma, todos serão celebrados. E o vídeo demonstra essa satisfação quando o casal está dentro do mar – ao contrário do que ocorre na Lua, a deusa desafiada.

Nesta música, existem muitas influências da poesia de Horácio, Carpe diem, e de Robert Herrick, To the Virgins, to Make Much of Time. Enquanto o poeta romano dava a importância do presente em detrimento dos acontecimentos no futuro até como base de sua filosofia, o poeta inglês fez o mesmo, mas sem muito êxito no período elisabetano. Contudo, seu trabalho ajudou a reavivar o tipo de texto durante a projeção do arcadismo na Inglaterra no início do século XVIII.

Apesar de vivermos num mundo de culturas muito misturadas, o Smashing Pumpkins conseguiu realizar uma proeza com uma canção basicamente árcade. Há a conquista de Locus amoenus e o menosprezo da Aurea Mediocritas. Muitos não possuem tanta afinidade para se chegar a isso, considerar o carpe diem. Depois do clipe lançado, a banda acreditou nos fãs como eles acreditam nos músicos. É um jogo de inteligência e acreditar... Existe algo de mais valor do que isso?

O vídeo não tem URL, então clique aqui para ver.

Ao infinito e além

As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
E em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei de Morte libertando
– Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte. (...)


Primeiras duas estrofes d’Os Lusíadas, de Camões

Ao trocar algumas palavras destes versos, pode-se classificá-lo como um desafio a todos os exploradores, inclusive aos astronautas.

A obra camoniana exalta um poderio naval português brilhante. Enquanto as aventuras das descobertas renascentistas reorganizavam a mente européia aproximando as pessoas de si mesmas de maneira mais humanista, as navegações luso-espanholas reposicionavam o homem no seu planeta. Os novos conquistadores enfiavam-se em naus à procura de riqueza, glória e conhecimento. Nos fins do século XV, os portugueses e espanhóis duelavam para assegurar sua expansão global. O Tratado de Tordesilhas é um acordo que expõe essa “Guerra Fria” da Era Moderna cujo período estava recheado de incertezas acerca de tais viagens suicidas com seus monstros marinhos e a ira de Deus (ou deuses). Os navegadores partiram porque valia à pena e suas almas não eram pequenas.

Como um ciclo da vida, quinhentos anos mais tarde, Estados Unidos e União Soviética participaram de um mesmo duelo pela conquista do espaço. Homens ambicionavam sua posição no Universo carregando uma bagagem de centenas de milhares de anos de conhecimento; por sua vez os estados antagônicos travavam uma dura batalha político-científica pela supremacia na Mãe Terra.

Hoje, dia 20 de Julho, faz 40 anos que o homem conseguiu pisar na Lua conquistando um de seus antigos deuses mitológicos. Nem é preciso mencionar as controvérsias do assunto. Contudo ressalta-se que a viagem ao espaço ainda está longe de ser fato para o humano comum. Apenas militares selecionados e gente endinheirada podem fazer uma visitinha na órbita terrestre.

O ano de 2001 passou sem que pudéssemos dançar valsas através de naus exuberantes. Outros fatores mudaram os planos. As viagens fantásticas continuam a sê-las na imaginação porque atualmente estamos mais preocupados em como será o futuro do planeta por questões de sobrevivência. E por enquanto não poderemos escapar daqui tão facilmente.

Assisti a poucos filmes de ficção-científica espacial, portanto, não há muitas obras antigas ou em preto e branco. Mas há poucas que podem ser levadas a sério como também existem números baixos de produção sobre o nosso Sistema Solar. Assim deixo esta seleção acerca do espaço para apreciar e/ou pensar:

2001: Uma Odisséia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick
Um monólito negro surge na pré-história interferindo na atividade do planeta com emissão de uma civilização extraterrestre. Milhões de anos depois, ele surge em Júpiter e afeta alguns astronautas. Logo, uma equipe é enviada para investigar. Dentro de uma nave totalmente controlada pelo computador HAL 9000, a situação mostra-se cada vez mais aterrorizante já que a inteligência artificial tenta assumir o controle da missão. Simplesmente, o mais completo filme de ficção-científica no espaço. Às vezes pode ser moroso, por isso , deve-se assisti-lo com atenção.



Aliens – O Resgate (1986), de James Cameron
Após um primeiro capítulo bem finalizado por Ridley Scott, Cameron teimou em fazer uma seqüência. O sucesso foi estrondoso e o clima tão absurdamente sinistro quanto o do filme anterior. Depois de ficar à deriva por anos, a Tenente Ripley volta a enfrentar monstrengos babões com a ajuda de uma equipe militar de elite para resgatar dezenas de pessoas de uma colônia planetária atacada pelos aliens. Esta obra deu brecha para várias cópias fracas.

Apollo 13 (1995), de Ron Howard
História real dos tripulantes da nave Apollo 13 que sofreu uma pane durante missão à Lua. Com ajuda da NASA, os três astronautas retornaram no veículo avariado com várias chances de se perderam pelo caminho. Além disso, não tiveram tanto reconhecimento quando foram para o satélite, mas devido às circunstâncias, voltaram como heróis.





Cowboys do Espaço (2000), de Clint Eastwood
Por pura politicagem, um quarteto de pilotos é posto de lado num projeto de viagem espacial. Anos depois e já idoso, o líder (Eastwood) é convocado para consertar um satélite russo dos tempos de Guerra Fria. Ele concorda em ir até lá com seu grupo ao invés de fazer tudo por computador. O filme veio na onda da segunda experiência de John Glenn, aos 77 anos, em órbita terrestre em 1998.




Da Terra à Lua (1998), de Michael Grossman
A minissérie conduz a história da conquista da Lua pelos Estados Unidos através de muitos personagens que possibilitaram o acontecimento de 1968. Para comemorar os 30 anos do episódio, Tom Hanks produziu doze capítulos acerca da corrida espacial.






Os Eleitos (1983), de Philip Kaufman
Durante a corrida espacial, um grupo de astronautas é apresentado como heróis estadunidenses para a conquista do espaço. Infelizmente, nem todos conseguem o estrelato. Além de contar com emoção os casos da NASA, o roteiro mostra também a vida de um herói solitário no meio do deserto quebrando recordes de altitude com seus testes em aviões supersônicos.




Missão: Marte (2000), de Brian De Palma
Quatro astronautas são enviados ao planeta Marte para investigar o que ocorreu com a missão da nave anterior. Relativo sucesso de bilheteria que teve um concorrente indireto lançado no mesmo ano que se deu mal: Planeta Vermelho. Contudo, esta obra de DePalma não é o melhor representante (leia-se, filhote) da filosofia de Kubrick. Deixa a desejar em muitos aspectos e é chato. Os efeitos da evolução da Terra são bacanas, mas é pouca coisa.




Outland – Comando Titânio (1981), de Peter Hyams
Transferido à colônia mineradora de Io, satélite de Júpiter, um patrulheiro espacial investiga as causas da morte de diversos trabalhadores – algumas de maneira violenta. Lá, descobre uma anfetamina que deixa as pessoas ligadas até não agüentar mais. Com poucos aliados, o patrulheiro passa a ser alvo de assassinos. Típico de alguns seres humanos colonizarem tudo o que se vê e lucrar com a fraqueza alheia mesmo em outros planetas. Bom ritmo de suspense, mas com um final óbvio.


Serenity (2005), de Joss Whedon
Continuação da série de TV Firefly em forma de longa-metragem. Os combates humanos travados no planeta natal agora são realizados no espaço. A história ocorre alguns anos depois da Guerra de Unificação. O capitão da nave Serenity participou do acontecimento, mas estava no lado perdedor; agora vive de assaltos com sua tripulação. Quando o médico da equipe resgata sua irmã, todos ficam em perigo, pois a garota faz parte de um programa da Operativa, uma espécie de governo espacial. O filme mostra o porquê da existência dos assassinos canibais, Reavers.


Star Trek (2009), de J.J. Abrams
No futuro, o ser humano é unido em seu planeta e seus inimigos agora vivem no espaço. Há muitas cenas de preconceito, principalmente relacionadas a Spock. A idéia de recomeço da saga Jornada nas Estrelas é levada ao limite, pois os acontecimentos do filme sugerem uma linha nova com infinitas possibilidades ao contar a história dos exploradores da nave Enterprise. Não há Terra destruída e os humanos sempre retornam para casa. O que vale é a exploração, assim como, os navegantes lusitanos faziam.



Sunshine – Alerta Solar (2007), de Danny Boyle
Grupo de sete cientistas percorre um longo caminho até o Sol para bombardeá-lo e aumentar a profusão de seu calor que aos poucos se extingue. A missão dá errado quando eles resolvem resgatar a nave anterior que tinha o mesmo objetivo e está à deriva. Boa construção narrativa, mas, durante o clima de terror, a montagem incomoda. Os melhores momentos estão na observação ao planeta Mercúrio e o vício pela luz solar de alguns tripulantes.




Titan A.E. (2000), de Don Bluth e Gary Goldman
O planeta é atacado por uma raça alienígena e completamente destruído. Os seres humanos espalham-se pelo espaço sendo tratados como ralé de muitos outros povos. O filho de um cientista é a chave para se encontrar outro lugar para sua raça sobreviver. Inicialmente, ele reluta, mas decide realizar a perigosa tarefa. A animação foi um fracasso de bilheteria, mas tem bons momentos.




Viagem à Lua (1902), de Georges Méliès
Inspirado pelo romance de ficção de Júlio Verne, a obra conta a história de cinco astrônomos que aterrissam no satélite dentro de uma cápsula lançada por um canhão gigante. Lá são aterrorizados pelos selenitas; conseguem fugir e chegam seguros a Terra. Considerado o primeiro e mais velho filme da história do cinema. Para quem gosta de coisa antiga é muito divertido.





O Vingador do Futuro (1990), de Paul Verhoeven
Homem de classe média tem pesadelos com o planeta Marte. Ele decide realizar uma viagem mental pelo lugar, mas algo dá errado e diversas pessoas estão à sua procura. Logo, investiga a si próprio indo até a colônia humana fincada no planeta vermelho. A obra choca pelo excesso de violência, mas a história é espetacular e se não ficar atento vira uma bola de neve.




Wall-E (2008), de Andrew Staton
Um pequeno robô-empilhadeira vive há 700 anos na Terra acumulando montanhas de lixo num planeta quase morto. Uma nave aterrissa e deixa um ser artificial mais desenvolvido, EVA, para investigar o lugar. Ambos se conhecem e quando EVA é forçada a ir embora, Wall-E a persegue. Impactante do começo ao fim, essa pérola demonstra o quanto o homem pode destruir sua casa sendo que o necessário seria apenas cuidar dela.